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Meu perfil BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, LIBERDADE, Homem, de 46 a 55 anos, Portuguese, Livros, Sexo, CINEMA |


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Gustavo
Sou uma pessoinha difícil, antipática, expansiva, rebelde, corajoso, lutador, muito, muito pobre(beirando a miséria... é sério e literal); forte e frágil, sensível, inteligentérrimo, cheio de talento, culto, inovador, exigente, soberbo, cago pra dinheiro, mesmo por que nem sei lidar com ele, amor e ódio em doses fartas, posturas políticas definidas, homossexual assumido desde os 13 anos de idade e sem nenhuma paciência com os enrustidos. Odeio a futilidade, inclusive e principalmente a gay, odeio pessoas medíocres, fúteis, que só se preocupam com a aparência. Amo os que têm, pelo menos, um vício, pois são mais humanos. Amo escandalosamente a literatura e o escrever, escrevo muito mas sou um autor absolutamente inédito. Generoso, muito, e leal, enxergo de longe os defeitos alheios e, como não presto, eu os denuncio. Ingênuo e confio nos outros. Uma criatura a ser estudada no futuro...Digno, arrogante. Estranho. Bagaceiro, não entendo nada de moda, não curto moda e só uso roupas horríveis comprada em brechó do Brás à um real a unidade. É o que posso. Prefiro um livro à uma calça de marca. Adoro cerveja e me embebedar. Tenho o pau grande e a bunda tatuada, mas acho bem mais compensador e preferível ter inteligência grande e a alma tatuada. Sou cheio de tatuagens. Assumo minha idade, 57 anos... se não for a tua, caia fora.
ATENÇÃO
Este blog mudou-se (mais uma vez... risos) para:
http://desobedienciasexual.weblogger.com.br
A peça "E o Mundo Não Se Acabou...", inteirinha, está lá.
Como eu escrevo muito pouco... risos (enlouqueceu de vez!), não conseguia mais me adaptar ao UOL, com apenas seus oito megas de espaço. Escrevia dois parágrafos e lá vinha a mensagem simpática: "O limite de caracteres doi excedido. Favor reduzir a mensagem" . My God, ninguém merece!( como diria o outro(a)) Portanto, reservem umas duas horas de seus dias folgados e calmos para a leitura. E digam-me o que acharam. Quero aproveitar para agradecer imensamente ao Luis Gustavo, o meu querido poeta pagão (http://http://www.paganpoet.blogger.com.br/) que, além de criar um belo template para mim, me auxiliou no blog como um todo, eu burrinho como sempre. Visitem o blog desse rapagão de 1.92m, lindão, e vejam os templates e o talento do menino. Obrigado, poeta! Vamos à luta e me desculpem, mais uma vez, o trabalho.
Beijos,
Ricardo
OTIMISMOS & PEÇA TEATRAL
Eu não tenho, realmente e infelizmente, nenhuma condição de ficar publicando posts “otimistas”. Não faz parte de mim e nem das minhas experiências. Todo escritor sabe que tudo o que produz passa pelo crivo das suas vivências. E as minhas, na maioria das vezes, me deram a visão que eu tenho do mundo, hoje. Nem por isso deixo de ter o meu bom humor e de gozar de muita coisa da vida. Nem tudo o que escrevo está aqui e eu sempre estimulei que as pessoas vivessem suas vidas até às últimas conseqüências. Só assim vale a pena. Mas, não consigo ser “alegre” nos meus escritos.
Porém, me parece que de blogs “alegres” a NET está cheia. Blogs “pra cima”, blogs cheios de imagens de florzinhas, anjos, sol, tudo muito alegre e colorido. Não sou assim e este blog é meu. Mas nunca, nunca tentei fazer a cabeça de ninguém com as minhas opiniões e posições, mesmo por que isso não existe. Se eu tivesse algum poder, iria tentar mudar primeiro a cabeça do gerente do meu banco e o fazer creditar milhões na minha conta. Ou faria um editor publicar meus livros.
A psicologia já chegou a essa conclusão sobre a nossa imutabilidade. O outro não muda. Se muda, é por que já existia dentro dele a semente dessa mudança e o que pode ser feito é AJUDAR a pessoa a desenvolver isso. Mas, se a pessoa não carregar a “semente”, já não ter o início do raciocínio, nada poderá ser feito.
Portanto, aqui, o que eu quero é me manifestar. Nunca impor nada. Se, no decorrer desse tempo de blog eu consegui ajudar alguém em alguma coisa ou na sua libertação, é por que essa vontade – mesmo que inconsciente – já existia nesse alguém. Portanto, nem mesmo em influências eu acredito. Você só fará o que você tiver vontade. E, quanto mais você agir assim, mais eu irei o admirar.
Começo amanhã a publicar, em capítulos, uma peça teatral minha, escrita há dez anos. Tudo o que está nela tem a ver com minha família, inclusive os nomes dos personagens são verdadeiros. Não gosto de publicar coisas assim,
(CONTINUANDO)Fingimos acreditar numa juventude eterna, não nos permitindo conhecer e desfrutar de outras idades igualmente ricas e passíveis de serem proveitosas.
Temos um medo hediondo da Morte ( ou será da vida ? ) e preferimos acreditar em outras vidas, reencarnações, essas coisas, desperdiçando o instante precioso desta vida de agora. Cecília Meireles dizia : “ Eu canto por quê o instante existe e a minha vida está completa...” E o que é pior, lutamos tanto, mas tanto para manter a nossa mediocridade diária, tanto nas nossas mesquinhas preocupações do cotidiano e esquecemos o brilho do exótico, do exagero e da entrega total aos nossos anseios e sonhos. Gastamos uma energia enorme com o gasto do detergente pela empregada ou pelo colega de quarto, mas nenhuma energia para entender e empregar na nossa vida as letras das canções. O poeta doa todo o seu sangue, meu querido.
Fingimos olhar nos olhos do outro, mas que dia vamos realmente enxergá-lo? E, quem é visto, morre de medo de ser olhado na sua totalidade. Então finge.
Fingimos ser heterossexuais, pois a sociedade não aceita o homossexual. Não aceita. Quando finge que aceita, mente. Na verdade tolera. Apenas tolera. Lutamos tanto para conquistar só a tolerância. Devo dar-me por contente? Ou então podemos dizer que somos “Bissexuais”, uma saidinha covarde, mas esperta! Afinal bissexual é um rótulo que não quer dizer absolutamente nada. Nada! E em cima do nada não há preconceito. Ou ainda melhor, como faz o badalado compositor baiano: não aceito rótulos! Uma bela saída, sem dúvida. Mas velha, velha. Nos anos setenta já falávamos isso, não há nada de criativo em não aceitar rótulos. Eu aceito todos! Em cima do Nada não pode existir preconceito. Podem me rotular de “doente mental”, inclusive. Eu adoro os tidos como doentes mentais.
Podemos fingir que somos competentes. Conheço pessoas muito, muito competentes em suas profissões. Elas mesmas se julgam como tal. Mas para lidar com as suas emoções, para construir um amor, elas não têm competência nenhuma! E fingem coragem, sim, coragem.
Os homens fingiram coragem para jogar a bomba em Hiroshima e nalpam no Vietnã. Mas, covardemente viraram os olhos para não ver os resultados. E, as mulheres, tidas tradicionalmente como covardes, reconstruíram as cidades. Reconstruíram Berlim inteira no pós segunda guerra, passando uma para a outra baldes e baldes de cimento e cal. Enterravam os seus mortos e iam perfumadas receber seus homens - ou o quê restava deles - nas estações de trem, numa agonia ímpar na nossa história. Mas. convenientemente esquecemos de tudo isso, para repetir logo depois. Admiro profundamente as mulheres. Por elas dou a minha reverência. O Movimento Feminista é, sem a menor sombra de dúvida ou argumento, o mais importante desta época. Foi o único movimento social que deu certo. Não há quem me convença do contrário. Pena que as mulheres esqueceram a ternura feminina e depois passaram a se comportar como homens...
Já reparou como fingimos? fingimos sermos alegres, a tristeza não é tolerada. Creio que nunca usamos tantas máscaras como agora. Fingimos até acreditar na nossa alegria, mera tristeza disfarçada, mesmo que a dor, a melancolia estejam lá, no fundo, pinicando incessantemente a nossa alma. Como nos recusamos a reconhecê-la, nunca a trabalhamos e nos negamos a aprender com a dor.Seguimos a vida fingindo alegria porque a melancolia não é adequada. fingimos amor quando há ódio e fingimos sermos pacíficos quando queremos guerrear.Fingimos não acreditar que vivemos num século marcado por duas horrendas guerras mundiais, na última morreram seis milhões de judeus e vinte milhões de soviéticos. Na última, pela primeira vez tivemos todo um plano inteligente até arquitetado para dizimar uma raça! Mas It”s no my business, não é mesmo? Nascemos, recebemos a nossa herança de coisas boas e ruins e nos comportamos como se nada disso fizesse parte de nossas vidas e do nosso mundo. Portanto, estamos fadados ad eternum a repetir os graves erros dos nossos antepassados.
Fingimos que o governo é bonzinho, que a nossa índole é “pacífica”, como querem fazer o povo brasileiro acreditar. E, em nome dessa imposta passividade, nos esquecemos de lutar por nossos direitos mais básicos. Não é conveniente. Esquecemos de exigir mais poesia e encanto no nosso dia-a-dia. Fingimos nos contentar com axé-music e pagodes baratos e pobres, isto num país que já teve Ari Barroso, Lupiscínio Rodrigues, Cazuza, Renato Russo e que tem Chico Buarque. Temos que fingir que nos contentamos com Zizi Possi, num país que já teve Elis Regina. Ou Maysa. Ou Dolores Duran. Ou Isaura Garcia. Ou...Estamos sempre fingindo aceitar, aceitar, aceitar. O grande poeta já dizia “Vence na Vida Quem diz Sim...” Até quando?
Aceitamos o pequeno amor por ser muito cansativo e corajoso lutarmos por um amor maior. Temos medo da paixão! Os jornais nos dizem diariamente: Sejam sensatos! Temos medo da paixão, mas não temos medo do cinismo que tomou conta de tudo, até da mídia. Não temos medo da fofoca, da falsidade e usamos tudo isso como instrumentos de trabalho para o nosso cotidiano e para “subir na vida”. Nosso cotidiano tão desejoso de dinheiro e de poder. Dinheiro e Poder. Mas o poder é medido apenas pela conquista de bens materiais, nunca na conquista de uma paixão, de uma grande emoção ou de uma entrega autentica.
Matamos, com requintes extremos de crueldade todos os nossos ídolos que deram a cara para bater por um mundo mais justo e mais livre.
Continuamos queimando Joanas Darcs na fogueira. Matando pelo desprezo e solidão Cazuzas, Renatos Russos, Lindas Batistas e Mírians Batucadas. Mírian Batucada foi encontrada morta em seu apartamento
Com Marlene Dietrich foi a mesma coisa . Teve também que ir para a mesma França, mesma França mãe de todos, ao esmagar a consciência norte-americana com suas canções contra a guerra, com a sua postura de líder de movimentos contra a guerra do Vietnã, contra todas as guerras imbecis provocadas por lideres de governos belicistas e arrogantes que mandam o próprio povo para morrer em frentes de combate. Isso enquanto saboreiam em casa o seu caviar! Dietrich nunca perdoou a insensibilidade e o descaso da sociedade americana com os mutilados das guerras. Essa mesma sociedade cobria de medalhas o peito desses voluntários sem braços ou pernas, mas não os queria nos seus restaurantes e nos seus eventos sorridentes. Não ficava bem. Toma as tuas medalhinhas, parabéns, aqui está a tua aposentadoria, mas, por favor fique
Se assumíssemos a dor poderíamos ter a perspectiva de uma vida maior e plena e isso nos assusta. Temos medo de sentir medo.
(CONTINUA...)
(CONTINUANDO - FINAL)Minha mãe se arrumou discretamente, colocou um vestido cinza, me pegou pela mão, eu tudo vendo, tão pequeno ainda, e fomos para o velório. Chegou lá, foi até a recente viúva, abraçou, foi até o caixão onde estava o primo e ficou assim, parada, uns minutos... eu tudo vendo... mas não chorou. Despediu-se e fomos embora, tudo muito digno. Então, algumas semanas mais tarde, aconteceu. Eu, sentado no chão brincando e ela na frente, passando roupa, muita roupa de todos nós. De repente, ela atirou o ferro longe e chorou de uma forma tão forte e violenta como eu nunca vi alguém chorar. Foi uma tarde inteira chorando, quase berrando. Em casa, ninguém falou nada, todos ficaram
O que eu sei, hoje, é que o amor não pode ser impedido ou negado. Acaba
Anos depois caiu na minha mão o livro “A Separação dos Amantes”, de Igor Caruso, psiquiatra alemão. Um livro grosso, cheio de depoimentos comoventes e que teve uma brilhante tradução do João Silvério Trevisan. Nesse livro ele falava justamente do impedimento do amor sensual e suas graves conseqüências. De repente, eu tinha na minha frente um estudo profundo de tudo o que eu já notava e sentia. Caruso afirma que não há dor maior que a dor da separação dos amantes, algo que para ele e para todos os casais estudados por ele é a pior dor que podemos sentir, uma dor pior que a dor da morte. Ele não se refere à separação de um casal que percebe que sua relação chegou ao fim, quando se decide mutuamente que o melhor para os dois é a separação. Ele fala justamente do amor que é impedido de se concretizar por forças outras: sociedade, família, religião, trabalho etc. Mostra que essa separação quase sempre leva à morte de um dos envolvidos e nos faz a pertinente pergunta, ainda hoje sem resposta: “Até quando o mundo vai deixar de prestar a atenção nisso e não vai olhar de frente essas mortes?” Ele até conclama, em seu belo livro, para que todas as forças progressistas, incluindo aí os médicos e a medicina, façam algo por esses amantes partidos pelo mundo e pela vida. Recentemente eu li também um estudo feito com vários pacientes terminais e que foi perguntado do que eles se arrependiam na vida. E todos, absolutamente todos, falaram que se arrependeram de não terem amado, de não terem dado chance ao amor, das impossibilidades que os cercaram quando amaram. Ou da fuga de cada um perante o sentimento maior. Fuga por medo da entrega, ou fuga por acharmos que não merecemos tudo aquilo...
De minha parte, tive a sorte, a pura sorte, tirei o bilhete premiado. Amei escandalosamente um cara que também escandalosamente me amou durante nove anos. Passamos tanta coisa soberba juntos, inclusive fome. Lembro-me, e essa lembrança é uma alegria para mim, não uma dor, que roubávamos comida em supermercados para aplacar a fome. E creio que tive o conforto de que, quando ele se foi, apaixonado por outro, não nos amávamos mais, foi algo mais tranqüilo.
E você, o que é o amor para você? Não tenho visto mais o amor, não desse jeito. Tendo a achar que o mundo ficou feio demais, tudo corre demais ao nosso redor, temos que trabalhar muito para sobreviver, a violência, os medos, os graves preconceitos sociais, a velocidade da informação, tudo contribui para que esse amor se torne cada dia mais raro. Todos os casais que conheço que estão juntos há algum tempo, sei que é por conveniência e comodismo. Pode até haver alguma cumplicidade entre os dois, mas só isso não é amor. E todos os estudiosos atuais, antropólogos, filósofos, psiquiatras, psicólogos, educadores falam que o amor romântico não passa de uma invenção, assim como inventamos a roda... Não sei. Isso me confunde muito. Se não existe, por que que é a única coisa que eu ainda carrego hoje? E carrego com tanto orgulho? Não me sobraram bens materiais, nunca tive casa ou carro e nem é para posar de intelectual anos ’70 bicho grilo, não... é por que sou totalmente incapaz de lidar com dinheiro. No entanto, certo ou errado, eu carrego com o maior orgulho o fato de já ter amado e vivenciado esse amor. Se não me sobrou grana, tenho de sobra a memória. E morro de pena de uns pobres mortais que não se entregam. Isso é tudo pano pra muita manga. E você, já amou? Amou desse jeito? O que é o amor para você?
O QUE É O AMOR PARA VOCÊ?
Sempre quis saber o que é o amor para os outros...
Evidentemente, não estou falando de outros tipos de amor. Sim, há outros: o amor por um projeto de vida, por um país ou lugar, o amor por parentes, o amor por uma canção específica, o amor por chocolate; o amor pelo Juninho, o amor estranho que tenho pelos meus pais ; o amor muito mais estranho... risos... que tenho por alguns leitores e leitoras minhas; e até, para os que crêem, o amor por um deus...
Estou me referindo ao amor passional, sensual.
Para Dolores, o amor era realmente a própria razão de viver.
Dolores foi minha amiga desde a meninice, morávamos na mesma vila, no bairro do Ipiranga, São Paulo. Eu era três anos mais jovem que ela, tinha nove anos e Dolores doze, uma pré-adolescente quando ela foi enviada para um colégio interno. E, nesse colégio ela se apaixonou por uma freira, uma das professoras. Mas se deu mal e foi descoberta: acharam um caderno seu cheio de poemas e declamações à amada. A família foi avisada e, escandalizada, retirou Dolores do colégio. Foi submetida a castigos e a prisão domiciliar. Adoeceu. Internada com câncer no útero, com apenas quatorze anos, Dolores faleceu. Faleceu por um câncer no órgão que, mitologicamente, é o receptáculo da feminilidade. Ela, Dolores, que carregava a dor no próprio nome. E eu, perplexo, na casa em frente tudo olhava. Não pude chorar por Dolores, minha amiga. Não na frente dos outros. Mas escondido eu chorava. Até hoje me lembro nitidamente quando ela foi levada, de maca, para o hospital. Eu, onze anos de idade, não resisti e sai e fui até ela. Ela olhou pra mim, sorriu e disse apenas, baixinho, pela janela do carro: “você me compreende...”
Não sei se queria compreender, mas compreendia.
Minha mãe nunca amou meu pai. Eu sabia e pressentia, uma criança tudo sabe. Amou, ainda adolescente também, o próprio primo. E, fugiam juntos para uma fazenda para tomar leite direto do peito da vaca, mamando. Descobriram e proibiram. Trancaram os dois, cada um em sua casa. Anos passaram, cada um casou e tiveram filhos. Um dia, muito tempo depois, o fone da minha casa toca. Alguém dando a noticia que o tal primo outrora amado havia morrido atropelado na Av. Liberdade.... avenida liberdade... avenida liberdade... seria a morte uma forma de liberdade e o amor, uma prisão?(CONTINUA)
Três moradores de rua mortos, sete feridos. Entre os mortos, uma travesti que tinha o apelido de Pantera. Uma gangue de extermínio, mais uma nesse triste país, atacou com porretes de madeira e "objetos contundentes", vários ainda estão nas UTI's, entre a vida e a morte.
Em cinquenta anos de vida eu nunca vi ou soube de algum político preocupado com os destino dessas pessoas. Nos anos '60, Carlos Lacerda, governador do Rio de Janeiro, junto com a deputada Sandra Cavalcante foram acusados de jogarem nos rios e lagos mendigos da cidade, com a ajuda da polícia, numa série de crimes nunca elucidados ou explicados. Acabaram arquivados e esquecidos, nada se provou. O que era conveniente para muita gente.
Penso que nos crimes de agora, em São Paulo, tal "esquecimento" se repetirá. Como sempre. Seria muito, muito bom se todos nós saíssemos às ruas, em protesto e exigindo soluções. Soluções tanto para os crimes, que se encontre os culpados imediatamente, como soluções para os moradores de rua e a miséria econômica que atinge crianças, homens, mulheres, famílias inteiras...
Quando cobro uma postura mais contudente do Movimento Homossexual, estou dizendo justamente isso: Está mais que na hora de usarmos toda a nossa força de luta e nos colocarmos ao lado de todos os outros excluídos. Chega de olharmos apenas para o nosso umbigo gay. Claro que sei que, nesse caso, a travesti não foi assassinada por ser gay ou travesti. Foi assassinada por ser uma moradora de rua. Mas, já que cobramos tanta solidariedade e já que queremos um mundo melhor, penso e sei que esses crimes horrendos são responsabilidade nossa também. Tem um belo e provocante poema de John Donne, escrito ainda na Renascença, onde ele escreveu um verso que se tornou muito famoso: " Não pergunte por quem os sinos dobram. Eles dobram por ti." É justamente de solidariedade que ele está falando. Ando descrente dessa palavra, justo eu que amo tanto as palavras. Mas solidariedade se tornou apenas e somente um mero e banal termo que muitas ONG's usam para conseguir verbas e dinheiro dos ministérios e de fundações internacionais. E, depois dos cofres cheios... nada fazem. Estou falando que o mendigo que está ao seu lado é igual a você, faz parte da mesma genética, faz parte da raça humana, onde você pertence. Será que pertence? Ou será que estamos aqui somente e exclusivamente para disserminarmos o mal, para olharmos para o indivíduo do lado cheios de desconfiança e para apoiarmos ações desse tipo? Afinal, quem cala consente. E, quem cala perante tamanha barbárie só pode já ter abdicado há muito tempo da sua condição de humano.
Ando cansado, enojado, pra falar melhor, de julgamentos. Cansei de ouvir de viadinhos usando Forum e Zoomp, usando Kenzo que "mendigos são vagabundos que não querem trabalhar". Por acaso, pergunto, você sabe a história individual- desde a infância!- de cada mendigo, o que o levou a essa situação constrangedora e triste? Você sabe?? Isso, apenas pra não falar coisas piores e egoístas que eu já ouvi...Mas não apenas de gays, infelizmente. Antes de ser solidário, o homem julga. E, antes de qualquer outra ação, confortavelmente e invariavelmente condena. Nos colocamos no lugar de Deus, constantemente. Não foi esse mundo que eu escolhi viver e, estranhamente, no decorrer de uma vida nada faço para melhorá-lo. Nessas horas, mesmo que eu não queira, entendo por que os poetas, os verdadeiros artistas e aqueles que sentem escolhem a morte como caminho. Para serem igualmente julgados, coisa que não paramos de fazer, nascemos para isso. Se, hoje, eu pudesse abdicar da minha condição de HUMANO, eu o faria, sem a menor dúvida.
“O mundo não precisa de homens que se
adaptam a ele. O mundo só evolui com o inconformado, com quem não se adapta.”
Desobediência
Não espere de mim outra coisa
Infringir, transgredir
Não nasci para obedecer nem para semear a ordem
Quero a desordem
Desobediência sexual
Desobediência moral
Quero um novo mundo
Além das leis e das regras
Além das religiões
De Deus ou do Diabo
É esse o o mundo que quero
Não patrões e não partidos
Não dogmas e nem a sensatez conformada
Quero a minha educação descoberta por mim
Não ao sol tampado por peneiras
Desobediência civil
Desobediência intelectual
Não à formas pré-estabelecidas
Não tentem me encaixar
Cremado ou dissecado serei
Para não caber nunca em um caixão
Flores? Não precisa! Já as trago tatuadas em meu corpo
Desobediência social
Desobediência corporal
Não sigo a sua estética
Não me dite normas
Não acredito na história oficial
Não acredito na conveniência da sua moral
Desobediência legal
Desobediência intelectual